quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Serras, montanhas e chapadas

As serras, montanhas e chapadas sempre foram regiões amplamente procuradas pelos ecoturistas em busca de experiências ligadas às atividades ao ar livre. Mais de 100 milhões de pessoas vivem a menos de um dia de viagem das serras localizadas no sudoeste brasileiro. Por sua vez, as chapadas vivenciam um aumento enorme na visitação, pois suas paisagens são muito atrativas a todos interessados em turismo na natureza.


Campos de Altitude

A Mata Atlântica é um bioma muito complexo composto por habitats diferentes uns dos outros como: manguezais, restinga, matas de baixada, matas de encosta e, também, os campos de altitude, que se caracteriza por uma vegetação aberta que se desenvolve acima de 1500-2000 metros, nas cadeias de montanha do sudeste e do sul do Brasil.
Os campos de altitude possuem essa vegetação tão característica com árvores pequenas e tortas cobertas de liquens, arbustos e capins altos principalmente devido a razões relacionadas ao clima. São as baixas temperaturas encontradas no inverno que representam uma barreira às espécies tropicais que ocorrem nos demais habitats da Mata Atlântica.
Entretanto, mesmo dentro dos campos de altitude nós podemos encontrar ambientes diferentes como encostas cobertas com capim e grama, brejos, turfeiras, encostas cobertas por bambu, pequenas áreas de mata mais alta e densa e também as rochas.
Assim como a Mata Atlântica, os campos de altitude também apresentam uma grande biodiversidade, sendo que muitas das espécies de animais e plantas encontradas nessas regiões são endêmicas, ou seja, só são encontradas ali.


Campos Rupestres

As chapadas também são compostas por vários tipos de habitats diferentes uns dos outros, como a caatinga, o campo cerrado, as florestas e os campos rupestres.
Os campos rupestres têm uma vegetação constituída, quase exclusivamente, por espécies endêmicas que se desenvolvem nas fendas das rochas, em solo arenoso, nos locais com altitude por volta de 1000 metros.
Esses campos estão bastante relacionados ao campo cerrado, que através de um variado relevo apresenta planaltos com árvores de folhas grossas e troncos retorcidos, em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturada por vezes, com campos limpos (gerais) ou matas isoladas não muito altas, os capões.
Inserida nos cerrados, margeando rios e córregos, encontram-se as matas ciliares, também conhecidas como mata de galeria, caracterizadas por uma vegetação exclusiva, portando raízes adaptadas a correntezas e inundações.
E em meio a esses dois ecossistemas - campos de altitude nas serras e campos rupestres e cerrado nas chapadas - encontram-se centenas de quilômetros de trilhas e caminhos, clareiras de acampamento, rochas e rios explorados por ecoturistas à procura das experiências únicas que esses ambientes podem oferecer.

Planejamento é fundamental

O planejamento adequado torna sua viagem divertida e confortável, leva você a alcançar seus objetivos e a ter suas expectativas correspondidas, ao mesmo tempo em que minimiza os impactos aos recursos naturais, evitando situações inesperadas que podem estressá-lo, arriscar sua saúde ou até a sua vida e causar danos ao meio ambiente.
Os ambientes de chapada e montanha têm características climáticas e tipos de vegetação distintos que requerem equipamentos adequados. Uma barraca de fácil montagem, capacidade para ter auto-suficiência em água e um pequeno fogareiro lhe darão condições de acampar em praticamente todo local que seja mais resistente a impactos (superfícies de rocha e campos com capim). Botas resistentes à água e polainas protegem seus pés da lama e permitem que você caminhe na trilha principal, mesmo se ela estiver molhada ou enlameada.
As serras e mesmo as chapadas podem apresentar temperaturas muito baixas, por isso um isolante térmico, um saco de dormir, agasalho e capa de chuva são essenciais para o seu bem estar, eliminando a necessidade de uma fogueira para mantê-lo aquecido.
A maioria das áreas de acampamento e as áreas impactadas ao redor dos atrativos como cachoeiras e rios são pequenas. Desta forma, torna-se muito importante viajar em grupos pequenos, para que essas áreas sejam mantidas em seu tamanho atual e não sejam expandidas.
Procure aprender sobre a vegetação, os animais e o clima das montanhas e das chapadas. Esses ambientes possuem uma enorme variedade de paisagens que vão dos planaltos rochosos da Mantiqueira aos gerais da Chapada Diamantina, passando por vales e picos. Cada uma delas responde de forma diferente aos impactos causados pelo ecoturismo.


Você é responsável por sua segurança

Nas montanhas ou nas chapadas, pratique a hidratação. Esse hábito irá ajudá-lo a evitar os problemas mais comuns como dores de cabeça, fraqueza e cansaço. Beba ao menos 4 litros de água por dia e lembre-se da necessidade de tratá-la, seja com produtos químicos, por filtragem ou fervura. É impossível saber se a água é potável apenas com um exame visual. O melhor é prevenir os problemas típicos como a diarréia e os riscos de águas contaminadas por doenças graves como a hepatite, entre outras.
Devido às características do clima a hipotermia é um risco sério em serras e montanhas. Talvez porque estamos acostumados ao clima tropical costumamos subestimar o clima das nossas montanhas e isso pode afetar muito a qualidade da nossa experiência e nos expor a perigos reais. Esteja preparado para o clima frio utilizando equipamentos adequados como os citados no item anterior.
Você pode percorrer e conhecer as chapadas e as montanhas usando as trilhas existentes ("terreno não técnico") ou se aventurar por terreno mais rochoso e acidentado, conhecido como "terreno técnico". Caso você faça esta última opção assegure-se de que você possui os conhecimentos adequados sobre orientação e técnicas verticais. Não se arrisque sem conhecimento e técnica, pois as operações de resgate no Brasil são difíceis, caras e demoradas, além de causarem danos às áreas naturais.
Os rios também podem representar uma dificuldade e um risco nas atividades ao ar livre em serras e chapadas, principalmente devido às trombas d'água e à dificuldade de travessia após um período de chuva. Aprenda as técnicas adequadas sobre travessia de rios e esteja atento para a ocorrência de trombas d'água. Lembre-se de assumir a responsabilidade por sua própria segurança.
Prepare-se com antecedência e adquira experiência nas atividades que pretende fazer. Caminhadas longas em terreno desconhecido exigem conhecimentos específicos e algum treinamento. Caso você não tenha experiência não se arrisque sozinho, procure guias especializados ou clubes e associações de praticantes.


Cuide das trilhas e locais de acampamento

Evite caminhar ou acampar em áreas de vegetação frágil como os charcos. Os danos a essas plantas ocorrem muito rapidamente, geralmente após a passagem de poucas pessoas. Assim, escolha passagens mais resistentes como rochas, solo nu e capim e traga seu lixo de volta.


Deixe cada coisa em seu Lugar
As pessoas visitam as áreas naturais para terem a experiência de conviver com a natureza em seu estado primitivo e vivenciarem seus desafios e surpresas. Permita que os outros visitantes tenham essa sensação de descoberta, mantendo as plantas, as pedras, as flores e os animais no seu estado natural. Nós todos temos a responsabilidade de manter as áreas naturais bem conservadas para que outros possam visitá-las no futuro e encontrar a mesma paisagem.


Não faça fogueiras

A atração pela fogueira existe e para muitos a prática de acampamentos está intimamente ligada às fogueiras noturnas. Entretanto os impactos que elas causam não são poucos - danos ao solo, visual e extinção de madeira disponível - além de representarem um perigo real de incêndio.
Tenha em mente que a decisão sobre fazer ou não uma fogueira não deve ser tomada arbitrariamente, mas sim com base em informações como regulamentos da área, condições ecológicas, clima, técnica apropriada, nível de uso da área e disponibilidade de madeira.


Respeite os animais e as plantas

Embora não seja fácil visualizá-los, as serras e chapadas são ambientes que abrigam diversas espécies de animais. Caminhe em silêncio de forma a não perturbá-los. Forçar os animais a fugir, atraí-los e alimentá-los compromete a sua capacidade de ter uma vida normal. Em épocas críticas como acasalamento ou amamentação, o impacto sobre os animais pode levá-los a abandonar ninhos e filhotes.
Tocar um animal silvestre causa um duplo impacto, pois você estará causando stress ao animal e ainda pode ser contaminado por alguma doença que ele eventualmente transmita.
Utilize um binóculo e uma máquina fotográfica para registrar sua imagem de um animal visto à distância e ajude a mantê-los selvagens.


Seja cortês com outros visitantes e com a população local

É quase certo que você encontrará outras pessoas durante a sua viagem às serras e chapadas. Evite o uso de aparelhos de som e rádios portáteis. Os campos e as montanhas são locais especiais que convidam ao relaxamento, por isso evite gritaria e música alta. Nos acampamentos, respeite o direito dos demais desfrutarem os ruídos e os sons da natureza e mantenha silêncio à noite.
Aproveite sua viagem para conhecer um pouco mais e melhor a cultura, os costumes e o modo de vida da população local.

Um comentário:

Anônimo disse...

gosteeei :DD'